Lembranças nacionais de outro 11/01

Rafael Nogueira

1/11/20262 min read

Dois dias antes de 11/1/1822, no Dia do Fico (9/1), Dom Pedro disse o que Lisboa não queria ouvir: ficaria no Brasil. As Cortes exigiam seu regresso e, com isso, empurravam o Brasil de volta para a condição de província obediente.

Ninguém sustenta uma coisa dessas só com gogó. Quando a coisa aperta, as armas entram em cena.

Voltemos mais alguns dias.

No fim de dezembro, em São Paulo, sai uma peça decisiva: o famoso Manifesto Paulista, atribuído a José Bonifácio, e redigido no Solar dos Andradas, em Santana, onde hoje funciona o CPOR/SP. Ali, Bonifácio e seus aliados de São Paulo dizem: se o príncipe voltar, o Brasil volta para a condição de colônia; como os brasileiros não vão aceitar, vai jorrar um rio de sangue.

No dia 8/1, o texto ganha palco nacional, sendo publicado no suplemento da Gazeta do Rio. Era um recado para organizar o Rio: “leiam, e escolham um lado”.

O Rio reage: faz manifesto, com coleta de assinaturas, e, em uma grande articulação política, entrega ao príncipe, na forma de uma carta, a vontade dos munícipes. O texto é atribuído sobretudo a Frei Francisco Sampaio, e a entrega passa por José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara.

Em cerca de uma semana, o documento junta mais de 8 mil assinaturas.

No 9/1, o pedido sobe ao Paço e a frase fica para a História. Só que uma razão vem logo depois, pela via armada.

Na tarde de 11/1, e eis o 11/1, o general Jorge de Avilez, leal às Cortes, atiça os batalhões portugueses. Era o motim da Divisão Auxiliadora. A tensão explode, com ocupação de posições e ameaça de coerção direta ao regente.

A cidade não assiste quieta. Há reunião popular com armas nas mãos no Campo de Santana. Avilez recua para a Praia Grande (Niterói), e a crise muda de figura. Dom Pedro manda o ultimato: ou embarcam e vão embora, ou morrem.

A Divisão vai embora em 15 de fevereiro de 1822.

A Independência não começou com uma arbitrariedade de Pedro e Bonifácio. Os processos são longos e cheios de riscos. As Cortes revolucionárias mandavam em Portugal. Ninguém lhes punha limites. Até Pedro dizer chega.

Você já tinha ouvido essa história, contada dessa maneira?

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